terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Entrevista com o Nene Altro


Bem, o que falar sobre o Nenê Altro. O cara é escritor, autor de "O Diabo sempre volta pra mais um drink" e "Os Funerais do Coelho Branco", é vocalista do Dance of Days e do Total Terror DK, já teve algumas outras bandas, todas muito fodas, organiza diversos shows, como por exemplo, o Verão Revolução, o Antifest, é autor do Zine Pest, possui a gravadora/editora Teenanger In a Box e o selo Antireckodz. Ele é o cara, um dos maiores nomes da cena independente nacional. Essa entrevista foi concedida no show que eles fizeram em Brasília no mês de setembro de 2011, demorou algum tempo para estar no ar devido alguns problemas, então, ele esta aí, como presente de Natal as todos vocês.


VidaHC: O Dance of Days está na estrada há um longo tempo, sempre lançando discos. Quando vocês percebem que é a hora de lançar um novo álbum?

Nene Altro: "Sempre que nós achamos que temos algo a dizer, mas nós não conseguimos ficar sem produzir, pois acima de sermos bandas, somos amigos, estamos juntos o tempo todo e as ideias sempre fluem, a gente sempre pensa na gente juntos, a banda é meio que uma família, então é natural que tenha muitos discos e que nós queiramos gravar".

VHC: Vocês estão no meio underground. O que é underground para vocês e nessa onda de bandas novas, quais vocês admiram, curtem, incentivam, divulgam...

Nene: "Underground pra gente, independência é o que a gente é, não é uma coisa “vamos ser underground”, nós aprendemos isso com o punk, crescemos assim, é tudo que nós sabemos fazer, não sabemos ser de outra maneira. E das bandas novas, tem muitas bandas boas que não estão na rádio, a cena está muito forte no país inteiro e um grande problema é que as pessoas só olham pra cima, não olham pro lado, tem muita banda boa desconhecida".

VHC: E da cena de Brasília, quem vocês curtem ou conhecem?

Nene: A gente conhece bastante gente, os primeiros contatos que eu tive aqui foi com o Besthöven, que é do meu amigo Fofão, esxa galera. Depois veio o pessoal da Prótons, a banda Bianca que trouxe a gente, as bandas que trouxeram a gente hoje, o Enema Noise é bem legal, o Dissonicos.

VHC: Como estão as preparações para o novo DVD que vocês estão gravando.

Nene: "Nós decidimos fazer um DVD comemorativo dos 10 anos do disco “A história não tem fim” que fosse diferente, que não fosse só um DVD ao vivo. Então nós resolvemos montar a nossa sala de ensaios e gravar lá mesmo o DVD. E ele está bem legal, terá um documentário junto com todos os ex-membros falando, todo mundo que já particuou da banda, será bem legal".



VHC: Os integrantes do DoD tem alguns projeto paralelos. Como vocês fazem pra conciliar shows, agendas e tudo mais?

Nene: "De uma maneira ou de outra tudo que todo mundo faz na banda está ligado ao hardcore, ao independente, seja o Fausto que trabalha numa loja de disco ou o Tyello que tem um estúdio, ou eu que produzo shows de bandas pequenas, bandas independentes, então, nós sabemos conciliar por que tudo faz parte do mesmo meio, o Marcelo também trabalha fazendo merch de bandas, é tudo a mesma coisa".

VHC: Vocês vivem do Dance of Days, vivem de música? Conseguem isso sendo underground?

Nene: "A gente vive do Dance e das outras coisas, por que nós nunca fomos de ficar parado esperando as coisas acontecer. Lógico que nós temos a renda do Dance of Days, que ajuda a gente a manter a banda na estrada, mas o mais importante ganhando com o DoD é manter a banda na estrada, nós não pensamos em fazer disso um ofício".

VHC: Você lançou um livro recentemente, “O Diabo sempre vêm pra mais um drink”. Comente um pouco sobre ele.

Nene: "Quando eu fiz o “Funerais do Coelho Branco”, meu primeiro livro, foi algo meio incompleto, por que, os Funerais é um texto que eu havia publicado no meu blog, então a editora veio e deu a ideia de fazer um livro e juntar com outros poemas, mas era uma fase muito confusa da minha vida, onde eu estava cheio de problemas, então as vezes parece que não tem uma continuidade. Então eu gosto do livro, gosto do formato, foi algo que marcou a minha vida, mas eu senti a necessidade de fazer uma coisa nova, algo pensado, então eu escrevi esse novo livro, onde são 55 poemas, em uma ordem cronológica, que dizem respeito a épocas que eu vivi na minha vida".

VHC: Você está escrevendo um romance, pode adiantar algo sobre isso?

Nene: "Eu comentei isso no twitter ou no facebook, se não me engano, na verdade é o meu projeto novo, eu tenho algumas coisas rabiscadas, é uma ficção não-ficção, na verdade eu tenho coisas rabiscadas, mas não tenho nem previsão de quando vou lançar isso, na verdade agora eu quero me dedicar as coisas do Dance of Days, ano que vem nós vamos lançar disco novo, eu estou voltando com o meu jornal, então a prioridade agora é essa".



VHC: Com tantos discos, fica difícil fazer maratonas Dance of Days?

Nene: "Nós temos mais de 100 músicas gravadas, acho que o mais difícil é fazer set list, por que a diferença do Fã do DoD para os fãs de outras bandas são que os nossos fãs gostam de todas as músicas,  sabem cantar todas as musicas, então eles querem que a gente toque todas as músicas. Então é difícil pra gente escolher, por aqui por exemplo aqui em Brasília, tem músicas que a toca muita lá mas não toca aqui, então temos que tocar algumas músicas que podem estar sem sair por que nós não tocamos tanto lá. Hoje tocamos 28 musicas, a maratona costuma ser 32 musicas, então fizemos uma mini-maratona".

VHC: A cada CD vocês estão se reinventando, cada álbum tem uma pegada nova, por exemplo, se pegar “A Dança das Estações” é uma vibe diferente do “Disco Preto”, você vê uma diferença na sonoridade, e os fãs do Dance não tem um preconceito de falarem que vocês estão mudando. Vocês levam isso numa boa para compor novos discos, criar novas canções?

Nene: "É porque o fã do Dance entende que o nsso disco é sincero. Então não adianta eu ficar passando por uma fase depressiva na minha vida e fazer um disco feliz. Quando eu tava muito depre eu fiz o “Lírios aos Anjos” que fazia sentido, em um âmbito totalmente diferente, então depois quando eu tive uma fase mais política, eu quis fazer o “Disco Preto”. Vai do que a gente pensa e acredita, por isso que é tão sincero, nós não ficamos procurando fazer o que vai agradar os outros, nós fazemos o que temos necessidades de fazer, pois é u único meio que nós expressarmos".

VHC: E quais são os planos do Dance of Days para o futuro?

Nene: "Nossos projetos são lançar o DVD, janeiro e fevereiro a gente vai parar de tocar tocaremos apenas em um ou outro show para nos dedicarmos ao disco novo, vamos nos internar em estúdio para compor o disco novo, em março ele vai para a fábrica e em abril e maio vamos fazer uma turnê diferente, vamos fazer uma turnê nacional de dois meses divulgando todo esse trabalho".



VHC: Para terminar, deixem uma mensagem pros fãs do Dance of Days.

Nene: "Pessoal, não esperem as coisas acontecerem, se tem alguém que sabe que a coisa é verdade, são vocês, por que nós vemos que você fazem parte da mesma sintonia da gente, então não pense duas vezes,  façam um zine, façam uma banda por que se tem esperança na cena, essa esperança são vocês".

Para conhecer mais sobre ele, acesse
Lá vocês encontrarão links para seus trabalhos, suas bandas e tudo mais.

E um Feliz Natal a todos.

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